quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

"Os 30 - Nada é Como sonhámos" Filipa Fonseca Silva


Título: Os 30 - Nada é Como Sonhámos
Autora: Filipa Fonseca Silva
Editora: Oficina do Livro

"Os 30 - Nada é Como Sonhámos" é o primeiro livro de Filipa Fonseca Silva, editado em 2011, e fez história quando a versão inglesa do livro atingiu o top 100 mundial da Amazon, fazendo dela a primeira autora portuguesa a conseguir tal feito.

A obra fala de um encontro de antigos amigos da faculdade que se reencontra para um jantar. Alguns deles deixaram-se levar pelas ambições e outros tentam ainda desesperadamente agarrar aos seus velhos ideiais. Cada um seguiu depois o seu próprio rumo e enredados nas voltas da vida, parecendo-lhes que da amizade que eles outrora acreditavam inquebrável já pouco resta. Mas ainda assim, para a maioria deles, será uma noite de descobertas e de mudanças.    

A narrativa do livro é feita sobre três pontos de vista. Joana, a menina bem, educada nos preceitos e preconceitos da classe alta, que não poupa a esforços para levar a sério o seu papel da perfeita dona de casa e anfitriã, enquanto no fundo ressente-se das suas ilusões e dos hábitos menos chiques de André, com quem casou. Filipe é o rebelde idealista que critica o facto dos seres amigos terem "vendido" a sua alma para ficarem bem na vida, e como tal é a némesis de Joana. Porém, também ele é prisioneiro das suas desilusões, preso a um trabalho que ele não gosta mas que não tem vontade de deixar e coleccionando relações fortuitas e falhadas, ainda marcado por um amor da adolescência. Maria, depois de uma grande desilusão amorosa, quando o noivo lhe fez uma chocante revelação pouco tempo antes do casamento, viveu algum tempo na Alemanha para recuperar do choque e agora vive triste e acha-se condenada à solidão. 

Trata-se de um livro pequeno, divertido e despretensioso, que se lê rapidamente mas que é certeiro na forma como fala dos ideais e ilusões de toda uma geração. As três perspectivas narradoras do livro são equilibradas, mas não há dúvida que a de Joana prevalece pela forma mordaz como através dela, a autora desconstrói toda uma classe que teima em perpetuar ideias que já deviam ser ultrapassados. Embora diga algumas poucas coisas acertadas, muitas vezes só me apetecia dizer "O quê? Como é que alguém ainda pode pensar ou dizer isso?" e gostei como pelo menos para certos aspectos, ela teve um momento de abre-olhos. Da mesma forma, adorei a evolução de Maria e da surpresa inesperada de Filipe. 

Só pelo que me fez rir, valeu a pena a leitura deste livro.

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